A-G-O-R-A. Meu amor é teu. Meu tempo é teu. Minha pressa é tua, minha urgência é toda nossa. Tem que ser agora. Tem que ser na pressa, eu posso não viver amanhã. Assim, falado com rapidez, sem pausa pra respirar. Quero respirar tua nuca, quero transpirar nossa vida.
A-G-O-R-A. Não espera. Perdoo todos os teus erros, menos a tua demora. Nunca amou na vida? Nunca sentiu esse aperto? Então me aperta! Me prende, me sufoca! Me ama! Mas me ama agora!
E se ela não falasse de amor, do que ela falaria? Nos muros pichados, ela encontra declarações de outras vidas. Nas pessoas que não sorriem nas ruas, ela vê corações partidos. Ela só sabe pensar nisso, só sabe pensar no amor. E ela nem pensa que o amor não pensa nela, coitada.
Não existe ninguém tão solitário quanto ela, mas ela não percebe. Ama o tempo todo, solidão nem tem alma dentro do corpo dela. Ela não sabe, mas está sozinha. Não tem um amor, não tem um par pra chamar de seu. E ela não liga! Ama e ama cada vez mais. Nas promessas ilusórias, ela ainda vê esperanças concretas. Ela ainda espera que o mundo seja bom. Pra ela, é bom. Eu ainda não entendi a cabeça dessa menina. Alguns dizem que ela gosta de sofrer, outros que ela gosta de se iludir… Eu, digo que ela gosta de amar (não importa as consequências de tanto amor).
Nicole Cardoso
Conhecer teu jeito já não bastava. Faltava-me mesmo ser dócil com teus defeitos. Conduzi-los através do tempo não era tarefa fácil, era como ter o coração envolvido pelos espinhos da tua rosa. Doía ter-te aqui. E era cômodo. Talvez não sobrevivesse sem as dores da tua presença. Doía perto, matava longe. Esvaia sangue, esvaia vida e história. O futuro, à ti pertencia, e eu já não fugia disto. Ainda que eu tentasse esquivar-me dos teus carinhos, do teu amor que destruía minha vida… Pertencia à essa história que já não existia. Era assim, dança eterna e você conduzia. Conduzia nossa vida, minha rosa dolorosa. Meu destino tão querido e odiado.
Nicole Cardoso (ao som de Tulipa Ruiz, Só Sei Dançar Com Você)
Ninguém lia, ninguém entendia
Mas você sorria.
Sempre sorria.
Assumo a culpa! Culpa que tenho. Culpa que carrego. Charrete de culpa, guiada pelo amor. Sem rumo, sem destino, sem plano e cheio de redundância. Culpa minha, sua talvez? Que sejam deles! O amor nas margens do pensamento deturpador, que culpa quem não tem culpa de ser somente amor. Amor = culpa. Culpa de não ser feliz sem o outro, culpa de não ter vida sem o outro. Culpa de culpar o outro pela vida sem o amor que demos. Te culparei até o fim por saber viver sem mim! E você que viva com essa culpa, e você que viva comigo. Até o fim. Infinitamente meu, culpado por seu meu amado, culpado por um amor inocente. Rasgado de culpa e costurado de amor. Meu amor. Mea culpa.
Nicole Cardoso
Tá frio. E tem um filme gravado pra eu ver. Mas cê sabe, até o cinema e os filmes que eu gostava tanto de ver, em dias como esse, ficaram sem graça sem a tua presença? De que adianta cobertor se meu coração tá geladinho? De que adianta chocolate se minha vida tá tão amarga?